Work Experience

No meio de 2012, minha amiga Julia chegou e disse: Victor, fui em uma agencia de intercâmbio e fiquei sabendo de um programa de estudantes muito legal. Olha ai.. E me mandou as informações e eu também fiquei fascinado com a possibilidade de passar 3 meses trabalhando fora do Brasil e ainda morando junto com uma das minhas melhores amigas.

Então, lá fui eu conversar com meu pai sobre essa possibilidade. Depois de muita insistência, consegui convencer meu velho e fomos lá, assinamos todas as papeladas, termos e mais termos. E enfim, a parte mais interessante: Qual tipo de emprego você quer? Qual estado você tem preferência?

Não me lembro muito bem qual cargo eu procurava, mas tinha uma certeza: NY ou Califórnia.

Algumas semanas depois, comecei a receber as ofertas de emprego, das cidades que tinha escolhido como principais e de algumas outras..

Bom, não ocorreu como eu esperava. Os empregos em NY eram péssimos, pagavam pouquíssimo e a maioria não oferecia a hospedagem, que normalmente é descontada do seu salário e os chefes cobram menos. Imagine ter um emprego ruim, ganhar pouco e ainda pagar uma fortuna por um apartamento pequeno.

E antes que pensem “ah, mas você poderia pagar por um apartamento” – antes de viajar, eu me fiz uma promessa: eu não ia usar o dinheiro do meu pai. afinal de contas, eu estava indo para trabalhar!

Foi ai que no meio de tantos empregos, apareceu uma oportunidade bem legal. A de trabalhar no Summit at Snoqualmie – uma estação de esqui, em uma cidade que fica uns 40 minutos de Seattle.

O lugar era lindo, o salário era ótimo, vários cargos que lidavam com publico para melhorarmos nosso ingles e ainda nos davam a hospedagem. Decidimos então, eu e Julia, aceitarmos esse emprego.

 

Primeira vez em Seattle: Pine Street, Downtown – 2012

 

Aceitamos o emprego, vimos os cargos disponíveis e mandamos nossos currículos. E dai, fomos pré-selecionados.

Um dos momentos que eu mais gostei, ainda aqui no Brasil, foi quando os sócios/donos da estação vieram fazer nossa entrevista de emprego. Nem preciso falar que fiquei mais do que nervoso, ansioso e sei lá. Era a minha primeira entrevista de emprego e ainda em inglês… Alguns dias depois, eu e Julia, recebemos a noticia que estávamos selecionados para o programa de intercambio.

E junto, uma supresa: A Julia estuda na faculdade federal, e na época devido as greves dos professores, o consulado americano não estava liberando visto nenhum para os estudantes. (para esse tipo de programa você entra com o visto J1 – de estudo e trabalho)

O resultado: Como avisar ao meu pai, que praticamente me deixou fazer esse intercambio porque a Julia ia? – Eu demorei quase um dia pra conversar sobre isso com ele, até porque, eu também estava muito nervoso de pensar que ia encarar uma aventura dessas sozinho. Tudo bem, é fácil de fazer novas amizades, a casa era compartilhada e tudo mais. Mas mesmo assim, dá aquele frio na barriga.

Novamente, convenci o meu pai. Mas pensei: não é possível, eu tenho que descobrir quem também vai pra lá.. E pelo facebook, descobri! Achei um grupo com uma grande galera que ia participar dessa temporada em Snoqualmie, e fui me enturmando e no final das contas, marcamos de pegar o mesmo voo de ida, etc.

Primeiro dia - Compras pra casa!

Primeiro dia – Compras pra casa!

A caminho de casa

A caminho de casa

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Dia de folga – Snoqualmie/13

 

Eu trabalhava como ticket scanner – ou seja, antes de subirem no teleférico, passavam por mim. Eu checava os passes e tickets dos visitantes. O único ponto negativo era trabalhar do lado de fora, a temperatura era sempre em torno de -10 e as vezes a noite chegava -25.

pausa para uma selfie: uniformizado trabalhando

 

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meu scanner de trabalho

Sempre tinha duas folgas por semana – as vezes eu pedia menos folgas para ganhar um extra, afinal, eu tinha prometido não pedir dinheiro ao meu pai. E eu sei que sou uma pessoa nada econômica. Pra suprir meus gastos, as vezes trabalhava de 9 as 21.

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tirando neve da porta de casa

Os intercambistas eram variados, além dos brasileiros muitos peruanos e chilenos. Tirando uma briguinha ali e aqui, a convivência foi boa. Perdi a conta de quantas vezes fizemos festas em casa e quantas multas tomamos por causa disso.

 

Nos momentos de folga, escapávamos para Seattle e podíamos aproveitar um pouco da cidade como turistas. Foi aí que o meu amor por Seattle começou, e antes que perguntem, detesto cinquenta tons de cinza e não sou fã de greys anatomy. (a parte que eu mais gosto de contar: O HOSPITAL NÃO EXISTE!!) Como estive por lá entre dezembro e janeiro, deixo minha história de amor com Seattle para um próximo post.

 

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É lógico que dentro desse post, eu tentei resumir ao máximo minha experiência de 4 meses como intercambista. Mas preciso levantar alguns pontos, que talvez podem até serem considerados clichês..

Eu mudei – e muito. Passei a ver o valor de cada centavo, mudei minha visão ao próximo.

Chorei, vivi, amei, refleti, me arrisquei, me libertei. Não me arrependo de nada e devo dizer que por um longo período da minha vida, eu senti saudades de todos os amigos que fiz, e inclusive da minha rotina de trabalho. Ao mesmo que reclamava de acordar cedo para trabalhar em um frio surreal, eu me sentia pleno e realizado de saber que estava cumprindo um desafio que eu mesmo me propus.

O que absorvi desse intercâmbio é que os amigos brasileiros, americanos, chilenos e peruanos, são para sempre. As vezes é difícil de manter contato com todos, mas acho que tenho pelo menos uma história engraçada com cada um.

É barato? Não é. Mas não pensaria duas vezes em fazer um intercâmbio novamente, é uma experiência intensa e única.

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agindo naturalmente

 

Esse post é dedicado a Fabio Mello, seja aonde você estiver, obrigado pelas memórias. Essa viagem não seria a mesma sem você.

 

E ai, alguma dúvida? Deixa ai nos comentários que eu respondo! 🙂 

 

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Victor Oliveira

Victor Oliveira

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